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Palavras soltas

E talvez eu ainda não saiba expressar com exatidão tudo o que se passa dentro de mim. Na realidade acho que nunca saberei. Sou um mistério até pra mim mesma e isso me deixa satisfeita e angustiada simultaneamente. Satisfeita por saber que há sempre algo pra se descobrir e angustiada por não saber o que vou encontrar. E é nessa contradição que eu vivo. Minha moradia pode não ser a mais previsível de todas, mas não deixa de ser fascinante (pelo menos pra mim).

O frio abraço da chuva

Hoje ela só queria sentir a chuva congelando seus ossos. Para um observador qualquer, talvez essa não fosse a cena mais interessante ou agradável, mas ela queria isso. E antes mesmo que pudesse desistir a chuva a encontrou. Sentia cada parte do seu corpo estremecer e ainda assim conseguia manter um sorriso indiscreto no rosto. O céu se enfurecia agilmente, mas não a assustava, pelo contrário, ela tinha uma vontade enorme de continuar ali enquanto durasse. E no momento mais intenso daquela cena o sol apareceu pronto pra estragar tudo.

Os devaneios de Maria

Hoje ela precisava escrever. Era algo mais forte que ela. Parecia estar hipnotizada. E talvez estivesse mesmo. Maria precisava escrever qualquer coisa, em qualquer lugar... Até o espelho embaçado do banheiro poderia ser usado pra saciar aquela vontade. Sua mente fervilhava tanto que poderia explodir a qualquer momento. As palavras vinham tão rapidamente que se tornavam incompreensíveis. E a partir dali ela tomara uma decisão: não queria entender.Entender não fazia mais sentido. Ela não queria enlouquecer, nem morrer. Aí, ela escreveu na porta de seu quarto: "Que venha toda a realeza. Hoje a festa é minha. Os príncipes serão os primeiros a chegar e ninguém se cansará rapidamente."
Já tem um tempinho que não encontro e nem penso em nada pra postar aqui, mas hoje vou escrever um trecho de um texto de Casimiro de Abreu e que de certa forma tem a ver comigo agora. Tenho medo de mim, de ti, de tudo, Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes, Das folhas secas, do chorar das fontes, Das horas longas a correr velozes.

Meu amigo papel

E agora eu sei que qualquer pedaço de papel é meu amigo. E já posso até chamar de amigo íntimo. A nossa cumplicidade é tão interessante... É como um lugar seguro que eu posso chegar desesperada a qualquer momento e simplesmente pedir abrigo. E o melhor é saber que, independente da situação, jamais sou rejeitada. Sou sempre bem recebida como se eu fosse a estrela mais brilhante do céu, a visita mais ilustre do mundo. p.s.: texto escrito em um papel na madrugada de 04/11/2009

No mundo da lua

E eis que o céu tornava-se mais interessante a cada momento. A imensidão, o infinito, as belas e fascinantes estrelas prendiam-me em seus misteriosos labirintos. Poderia ficar a noite inteira viajando por ali. Creio que o espetáculo seria mais bonito que os meus sonhos, mais envolvente que uma história e mais acolhedor que um abraço.

Sem pé nem cabeça!

E hoje estou simplesmente com uma vontade enorme de não dizer nada muito importante nem muito irreal, figurado, floreado e etc. É o primeiro dia de novembro, ok e daí? Daí que o ano está acabando e eu amo essa época. O natal e o ano novo são sempre datas legais (minha opinião). A primeira pq me leva a refletir e a relembrar o verdadeiro significado dessa data. A segunda porque é um momento retrospectiva do ano. Aí, eu viajo em minhas lembranças e fico pensando o que quero mudar, fazer no outro ano. Isso chega a ser estranho. Por que a maioria das pessoas só traça objetivos, metas, sei lá, o que ela vai alterar, no início do ano? Talvez seja porque nós precisamos acreditar q temos uma segunda chance de não desperdiçar um ano. Sendo assim, ter um novo ano pode significar uma nova chance, tudo novo... Não sei. Aliás, não sei muita coisa. Quanto mais acho que sei, aí percebo que realmente não sei. E qual seria a graça de saber de tudo? Como seria não precisar aprender nada? Às vezes penso ...