Passeios Nortunos (Parte II)

A porta rangeu ferozmente e tive medo. Medo de encontrar um cenário mais triste, vazio e sem vida. E foi mais ou menos isso que encontrei ali, naquela primeira sala. Agora eu conseguia ver através da luz intensa que vinha da janela. Flores mortas, livros empoeirados. Enormes teias de aranha decorando o teto de canto a canto. Jamais imaginei que aquele lugar fosse tão assustador.
Aquela cena me deixava exausta. Não tinha a mínima vontade de continuar aquela caminhada. Estava sem forças.
O silêncio me incomodava tanto que pensei seriamente sobre a última vez que me aquietei e refleti sobre minha vida. Era estranho, mas pude perceber o quanto eu me enganava. Era uma ótima atriz. Era ótima porque eu não conseguia apenas enganar minha adorável platéia, mas tinha me profissionalizado na arte do próprio engano. Acreditava fielmente em minhas doces e sedutoras mentiras. Usava o barulho para minha própria ilusão. Era difícil concentrar-me no meu espelho quando tudo estava inquieto. E eu não queria parar. Não queria parar nunca. Parar seria muito doloroso. Eu ainda não sabia se era capaz de suportar aquilo.
Quis sair dali. Estava tonta. As lágrimas embaçavam minha visão e pensei que fosse explodir. Recuperei minhas forças para fugir o mais rápido que eu conseguisse. A porta que eu abri estava trancada. Não entendi muito claramente o motivo. Era como se eu estivesse presa à essa "casa". Quis gritar, mas não havia som algum em minhas cordas vocais. A única opção era ficar ali. Então, comecei a me acostumar com tudo aquilo e sentia-me pronta para ver cenas piores.
A segunda sala era tão alegre, tão viva, exatamente o oposto da primeira. Parecia a própria morada da felicidade. Sim, eu afirmaria naquela hora que estava enlouquecendo, mas sentia-me tão completa dentro daquele ambiente que não me importaria se fosse apenas um delírio. Queria ser carregada por aquela atmosfera e viver daquele jeito pra sempre.
Enquanto apressava meus passos, tudo começou a fazer sentido. Essa "casa" era mais abstrata do que eu podia imaginar. Era a minha vida. Eram os meus prolemas, as minhas emoções, os meus desejos. Logo após essa análise, despertei de um dos meus mais problemáticos sonhos.




Comentários

Anônimo disse…
Muito bom Lilly,
adoreiiiii...
Parabéns!!!!
Grande Beijo!!
nuss entrei dentro do conto agora...amei..muito bom

Postagens mais visitadas deste blog

Sem pé nem cabeça!

Sobre amores não correspondidos