Saindo do automático

 Hoje tinha tudo para ser mais um dia comum. Mais um dia automático. Sigo uma certa rotina durante a semana. Durmo tarde e me levanto lá pelas nove da manhã. Tomei meu café, estudei um pouco, almocei. Minha mãe precisava ir ao centro da cidade e eu resolvi aproveitar para "fazer a sobrancelha" por lá. Resolvemos algumas coisas no centro e eu falei: "Mãe, você está pensando no que eu estou pensando? ". Ela respondeu do modo mais natural possível: "Você está querendo sorvete, né?" Até aí uma conversa normal entre uma mãe e uma filha que se conhecem bem.

Chegamos à sorveteria, nos servimos, sentamos à mesa e ela soltou: "Você acha mesmo que eu não ia aproveitar que estávamos por aqui e tomar um sorvete com você? Tomar sorvete de duas é muito melhor. Sozinha não tem graça." Foi nessa hora que minha ficha caiu. Até aquele momento eu estava concentrada no meu sorvete, tomando-o automaticamente e deixando de aproveitar a riqueza daquele momento. Mas eu estava ali com a minha mãe. Eu precisava curtir a companhia dela, dar atenção real a ela, ouvir o que ela estava falando. Quão rico é ter a companhia das pessoas que nos amam! Parei de dar a maior atenção ao sorvete e me concentrei em ouvi-la, em conversar e rir das amenidades da vida. Eu pensei que iria apenas tomar um sorvete e saí com uma grande lição. Viva o mundo real!

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