O príncipe encantado
Era uma vez... Não tire os seus olhos da tela porque aí vem história...Ah, os bons e velhos contos de fada... Conto de fada que se preze tem que ter uma mocinha muito bonita, sofrida, trabalhadora e vítima de (geralmente) uma bruxa ou qualquer outra representação do mal. Estou esquecendo alguma coisa? Sim, estou. Conto de fada que se preze tem que ter um príncipe impressionantemente belo, educado, com um sorriso colgate encantador e que vai se apaixonar instantaneamente pela mocinha e livrá-la de todos os perigos. A mocinha, evidentemente, também se apaixonará pelo príncipe. Eles se casarão e viverão felizes para sempre. Você acha mesmo que com todos esses atributos haverá espaço para alguma infelicidade? Um bom conto de fada tem que fazer muitas gerações de meninas suspirarem e sonharem pelo dia em que o tal príncipe encantado delas irá aparecer.
Se você é do sexo feminino e está lendo esse post, não pode negar que já sonhou em ter um príncipe como os dos contos de fada. Talvez você já esteja desiludida. Talvez você já tenha encontrado um príncipe, mas segundo o que eu acredito, ele não é encantado. Falarei dessa minha ideia mais tarde, mas o que me importa agora é escrever um pouco sobre essa 'síndrome do príncipe encantado'.
Desde crianças, nós mulheres, ouvimos sobre esse tal príncipe (o dono de todo aquele currículo citado no primeiro parágrafo) e muitas vezes acreditamos que ele existe. Partindo para o mundo real, sabemos que não há nada encantado. Não vivemos saltitando por belas florestas ao som de passarinhos alegres e cantantes. Fadas madrinhas não aparecem para nos ajudar e bruxas não lançam seus feitiços contra nós. Príncipes não surgem calvagando em um cavalo branco em nossa direção. Nada disso acontece, contudo, em algum momento de delírio de nossas vidas, queremos acreditar que o que Cinderela, Branca de Neve, Rapunzel, Bela Adormecida, entre outras, viveram, pode acontecer conosco também.
E por que não? Por que não podemos encontrar essa alma gêmea, a metade da nossa laranja? Se você quer uma alma gêmea, relacione-se com o seu espelho. Se você quer encontrar a metade da sua laranja, isso significa que você não se basta. Se você é apenas 50% , deveria cuidar primeiramente de você ao invés de esperar que outra pessoa preencha o que você não tem. Príncipes encantados são adoráveis nos contos de fada, mas na realidade, homens são humanos e isso já exclui automaticamente todo e qualquer encanto decorrente dessas narrativas.
É muito egoísmo acreditar que a pessoa com a qual iremos nos relacionar pelo resto da vida não pode ter defeitos. Pior ainda é querer que ela faça tudo conforme o nosso modo de pensar. Muitas vezes não queremos nos relacionar com humanos e sim com robôs ou marionetes. E assim vão embora relacionamentos que podiam dar certo se houvesse uma maturidade que ultrapassasse os livros infantis.
Não estou defendendo a ideia de que as mulheres não devem ter critérios de escolha porque ninguém é perfeito. Não estou falando também que você deve mandar todas essas histórias para a fogueira. Muitos relacionamentos não dão certo por inúmeros outros motivos. A idealização exacerbada da pessoa amada, tanto da parte da mulher como do homem (homens também idealizam), é apenas uma das razões pela qual não acredito que seja possível progredir emocionalmente. Deixem, por favor, o príncipe encantado preso nas páginas de suas histórias. Ele é feliz para sempre nos livros, mas ele morre se você resolver transportá-lo para o mundo real.

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